- E aí Onça, como é que tá?
- Fala aí...
- Ihhhh, qual foi, bicho?
- Bem coisa de bicho mesmo...
- Po, Onça, fala aí mermão, que bicho tá pegando?
- Cara, corta essa de bicho, a brincadeira já perdeu a graça...
- Virge Santa, o bich... Quer dizer, o cara tá de mau humor, olha aí...
- Na verdade eu to é bem chateado.
- Cara, você sabe que somos amigos, né? Mó orgulho ser amigo da Onça! Hehehehehhehehehe...
- É, eu sei...
- Mas me conta aí, qual foi?
- Melhor não, você não iria entender...
- Que é isso, meu brou? Tu sabe o quanto a gente é amigo, né?
- Hmmmmmmmmmm...
- Claro que somos, po! Tu te lembra só de cada coisa que a gente já passou juntos?
- Pois é, pois é...
- Diga lá mermão, conosco não tem enrosco! Afinal de contas, a vida é uma selva!
- Ai cara, será que dá pra parar com as piadinhas sobre a minha condição de animal?
- Tá, tá... Mas só se você abrir esse coração de leão, ops, de onça, e me disser o que tá havendo!
- Ai, assim não dá...
- Beleza! Des-cul-paaaaaaaaaaaaa! Às vezes não me controlo...
- Certo... Você tocou na ferida. Controle. Você sabe que sou um animal, e animal às vezes é irracional, age por instinto. Vocês mesmos, os homens, do alto da sua inteligência, às vezes aprontam das suas certo?
- Claro, meu!
- O fato é que... Sabe a sua mulher?
- Putz, aquela insuportável? Nem me fale!
- Pois é, ta aí uma coisa que a minha cabeça de animal não entende. Se você a odeia tanto, por quê não partiu pra outra? Vive malhando o pau, vive aprontando com ela...
- Onça, sério... Isso é coisa de homem, não homem espécie, homem macho, entende?
- Não...
- Ah, deixa pra lá...
- Tudo bem. Se tenho que confessar, que seja logo.
- Po, cara, diz logo aí, to curiosão!
- Então, o fato é que eu... eu...
- Fala, porra!
- Eu comi a sua mulher!
- (Silêncio) Como assim comeu a minha mulher? Tu tá de zoeira, né, ô figura? Hehehehhehehe... Piadista!
- Não, é verdade. Comi e ainda por cima gostei!
- Caraca, cara! Num tô botando fé! Que papo é esse?
- Cara, deu mole, eu comi, pronto! Já fazia tempo que não comia ninguém, não deu pra segurar a onda...
- Puta que o pariu!
- É, bem nessa...
- E agora, cara? Esperava tudo menos isso, vindo de você!
- Então, se ameniza, leve em consideração que você só falava mal dela, de como ela era chata e falsa e pegava no seu pé. Pensei comigo: bom, se é pra comer alguém, que seja ela. Assim já mato duas coisas de uma vez: sacio a minha vontade e livro o cara desse peso.
- Como é que é? Porra, pensei que você fosse um animal diferente!
- Não existe animal diferente. Animal é isso aí, bobeou, comeu!
- Bom, eu não quero mais falar nisso, só quero saber onde ela se escondeu, aquela piranha!
- Como assim "onde ela se escondeu"?
- É, porque no mínimo foi pra algum lugar pensar no que fez.
- Ahhhnnnnn? Cara, ela não pensa mais, já era!
- Ahhhnnnnn?
- Olha, você não suportava mais a pessoa, então te fiz um favor!
- Ahhhnnnnn?
- Meu, você tá me irritando. E isso não é coisa boa de se fazer com uma onça!
- Eu juro que vou te matar, seu filho da puta!
- Ah é? Olha só que você vai ser o próximo!
- Tenta, filho da mãe!
- Tá bom... Nhaaaacccc!!!!
- Aaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!! Minha perna!!!!!
- Pelo menos a dela tinha um gostinho bem melhor...
- Ah, pera aí, então foi comer de comer mesmo???
- Nhaaaaaacccccc!!!!