domingo, 13 de fevereiro de 2011

Criatividade

Meus poucos e fiéis leitores... Sei que to devendo a parte final da história da mosca e da aranha, mas sinceramente, já pensei em 10 finais diferentes e não gostei de nenhum... Para compensar a falta de criatividade , vou postar uma de um amigão, que prefere ter sua identidade preservada, mas que, sinceramente, eu queria ter escrito... Segue:

"Mulheres são incríveis, não vivemos sem elas. Mas a grande verdade é que se mulher não tivesse “buc…” a gente não dava nem bom dia! Se você reclama que seu namorado não te dá atenção, que seu marido não é mais aquele, e todas as demais reclamações femininas, pergunte a si mesma: “Eu ainda sou novidade? Além da minha xoxota, o que mais eu tenho a oferecer para fazer o meu homem feliz e assim ele poder me fazer feliz também?”

Sim cara leitora, se seu marido, namorado, ficante ou sei lá o que não for feliz, ele não pode te fazer feliz!

Como a cabecinha feminina não entende o simples mundo masculino vou dar aqui algumas dicas, tente e verá o quanto funcionam!

Dica 1

Se você acha que está gorda é porque está mesmo. Não nos pergunte isso. Arranje uma balança, compare seu peso com a de suas amigas (as bonitas, não as gordas), vá ao médico! Não nos perturbe com isso pois é o tipo de pergunta que todo homem sabe que acaba em briga.

Dica 2

Sua mão não vai cair se você abaixar a tampa da privada. É um ato simples, não requer inteligência e até seu cachorro pode ser treinado para fazê-lo. (Não, um cão não poder ser treinado para levantá-la). Vamos para os números: em um casal, os dois fazem cocô sentados. A mulher faz xixi sentada e o homem de pé. Então pelas estatísticas, são 3 atividades sentadas para uma de é. Sendo assim, são 3 chances em uma de você encontrar a tampa abaixada. Se não reclamamos de levantar a tampa, por que vocês tem que reclamar de ter que abaixar?

Dica 3

Não corte o cabelo. Cabelo comprido é bom, cabelo curto é ruim. De novo: Comprido, bom. Curto, ruim. Não corte. Aproveitando o assunto, também não pinte de vermelho, laranja ou amarelo. Aliás, não pinte! Pronto! A menos que estejam ficando brancos, aí sim, pinte de uma cor normal, que esteja disponível no planeta terra. Aí você diz: “Ah, mas os homens preferem as loiras!”. Loira sim, peruas não! (Humm, se bem que tem umas peruas que mandam muito bem…)

Dica 4

Não pergunte se sabemos que dia é hoje! Sei lá, olhe no calendário, agenda ou no jornal. Como assim aniversário? Aniversário DO QUE ainda por cima?!?!!?!? Seja ele o seu, o de casamento, de noivado, de namoro, da primeira vez disso, primeira vez daquilo, é muita coisa pra nós lembrarmos! Vocês se lembram que carro precisa trocar o óleo, verificar a água??? Ah não? Não lembram? Então, somos ocupados de mais e temos mais o que fazer. Deixe um bilhete na geladeira, nos mande um email com uma foto de mulher pelada pra chamar a nossa atenção. Ok, brincadeiras a parte, é perfeitamente normal homens não se lembrarem de datas relativas a situações emocionais. PORRA, EU ESQUEÇO O ANIVERSÁRIO DA MINHA MÃE! Grato!

Dica 5

Presentes. Se você quer um presente de aniversário, dê sinais, demonstre que quer algo. Algo possível por favor. Algo dentro do nosso orçamento. Não me venha com essa de “Ah amor, o que você quiser me dar vai me deixar muito feliz” e fique pensando que vai ganhar um anel de brilhantes. Fatalmente você vai ganhar algo de que não vai gostar, ficar com cara de bunda e jogar na nossa cara isso em uma briga futura (as mulheres tem algo como um caderninho maldito que elas sempre usam nas brigas. Algo como “Tudo de ruim que ele me fez”). Para evitar esse constrangimente e uma futura separação, dê dicas, seja clara! Quando estiver passeando conosco e ver uma vitrine com algo que goste, diga: “Nossa, que lindo isso! Queria tanto um!” e por favor, não mude de idéia!

Dica 6

Um velho ditado diz “Quem pergunta quer saber”. Se você não quer saber de algo, melhor não perguntar. Homens tendem a ser sinceros quando são submetidos a questões onde não vão ganhar nada com isso. Ficar calada as vezes pode ser uma virtude e não, seus lábios não vão grudar de você os manter fechados por mais de 30 segundos. Um cara de Harvard, Oxford ou algo assim provou isso. Deu no Fantástico e tudo.

Dica 7

Sim, algumas vezes seu namorado ou marido pensam em outras coisas além de vocês, ou da relação de vocês. Lembre-se: Quem pergunta quer saber, então não pergunte no que estamos pensando. Pode ser até na bunda da vizinha, ou em como você está engordando. Você não vai querer saber disso, vai?

Dica 8

Ir ao shopping e carregar sacolas de compras não é considerado lazer ou esporte por nós. Não é divertido, não é saudável. Não gostamos de ver vocês parcelando em 18 vezes aquele sapato que vai usar só uma vez porque vai descobrir que é horrível e que não combina com mais nada além da bolsa de couro de pica pau amarelo da índia que você também parcelou em 24 vezes.

Chame a sua amiga, sua irmã, ou melhor ainda, uma tia velha, sozinha, rica, viúva de general e que adora te mimar.

Dica 9

Aproveitando a dica 8 entenda: vitrines de roupas são chatas, muito chatas! Dá um sono dos diabos e você vai ficar com varizes por ficar de pé na frente delas. Se for vitrine de lingerie com fotos das modelos de calcinhas, até vai.

Dica 10

Qualquer roupa que você colocar vai ficar ótima! O que vale é a intenção. Falando nisso, não acha que 3 armários de roupas já não são o bastante? Além é claro, todas aquelas coisas velhas e estranhas que vocês insistem em comprar em brechós e que entopem os armários. É caro dedetizar pra eliminar as traças e cupins que vocês insistem em alimentar.

Estou cansado agora. Depois publico a parte 2. Aguardo as pedradas agora."

sábado, 4 de dezembro de 2010

Um domingo azul de emoção

Eu sou palmeirense de coração. Time complicado esse meu. Já ganhou muita coisa, mas passa por fases de time pequeno. Mudando de assunto, quando me mudei pra Floripa, queria um time daqui pra torcer. Vim em 2001, e escolhi o Avai por ser o time do Guga, pelo qual sempre torci e admirei. Justo naquele ano, o Avai não subiu por pouco, mas o Figueira sim. Namorei uma torcedora do Figueirense na sequencia e acabei, por amor, vendo jogos e torcendo pelo time dela e da família. Mas meio desconfortável... Aí conheci o Cléber, avaiano, colega de trabalho. Gente boa que só, ele começou a fazer com que eu voltasse a torcer pelo Avaí. Anos depois conheci a Jana e principalmente o Cantu. Duas figuraças, avaianos, claro. Comecei a torcer ainda mais, cada vez mais. Já tinha ido no Scarpelli, nunca na ressacada. Uma vez, um amigo figueira me chamou pra ver Avaí e Palmeiras lá. Não fui. Não queria ver meu time, quem sabe, ganhar daquele Avaí que aprendi a gostar. Mas, de verdade, nunca também desgostei do Figueirense. Quando eu dizia que queria mesmo era ver os dois na série A, mesmo sendo mais Avaí, não gostavam. Amigos figueirenses, amigos avaianos. Mas veio 2010. E o Figueira subiu. Fiquei contente, sim. Mas o Avaí poderia cair. Isso não! Eu torcia, apostava no Avaí no bolão. E não dava certo. Mas seguia acreditando. Eu, o Nami, o Toninho, o Isaac. Fazíamos contas. O Sandro ria. E veio a penúltima rodada. Eu disse que iria pela primeira vez na Ressacada. Kleyton secava, de boa. E eu fui. Eu e o Edinilton, que por sinal contou que nunca tinha visto um gol em estádio. Só 0x0. O Cantu emprestou camisa do Avaí, pra mim e pro Edinilton. E fomos. Foi contra o Santos, com Neymar. Campo bonito, dia de sol, gramado perfeito. Já me emocionei ao ver toda a torcida de pé cantando o hino brasileiro. Levei um radinho, aliás, comprado em um Figueirense e São Paulo, que os bambis levaram de 3 e eu achei massa. Mas, enfim, começa o jogo e o Avaí manda na partida. Mas finaliza mal. E o Santos, com Neymar, em dois contrataques (será que é assim que se escreve?) faz 2x0. Vixe! Tinha dito pro Cantu que eu era pé quente. E agora? Confesso que dei uma olhada pra ver se o Edinilton tava de chinelo. Nada, tava de tênis e meia. Menos mal, o pé dele também devia estar quente. Logo depois do segundo gol, no meio do desânimo, o Cantu fala, estirado na cadeira: "Ah, só faltam 3". Mãe e duas filhas na fileira da frente riem, como que pensando "é, impossível!". Mas o Avaí faz 1. Puta golaço de Caio. Já estaria bom, era quase final do primeiro tempo. E eis que sai o segundo. Caio de novo. Intervalo. Alívio geral. Mas os outros resultados não ajudavam muito. Veio o segundo tempo. Mais morno, menos emoção. Um ou outro ataque do Avaí, alguns contra ataques do Santos, mas nada de gol. Quando parecia que no final o Avaí decidiria tudo em um próximo e complicado jogo, Caio, de novo, na gaveta. Meu, sério, o estádio tremeu! Que jogão, quanta emoção. Cantu profeta, feliz que só! Foi bonito. E por mais que eu tenha gostado de saber que Figueirense e Avaí estarão na série A em 2011, valeu muito mais pelo Leão! Olha, nunca vou deixar de ser palmeirense. Afinal, tá no sangue. Mas deu pra perceber que tem espaço no meu coração alviverde pra mais uma cor. Pra que ele seja tricolor. Verde, branco e azul. E ano que vem tem clássico! E tomara que ambos os times estejam bem e que seja um grande jogo. Que não me levem a mal os amigos figueiras, mas agora e pra sempre, eu sou Avaí! Mas sempre desejando o melhor para os rivais. Bonito mesmo é ver Floripa com dois na série A, assim como Curitiba e Porto Alegre. Essa cidade merece!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Senna revisitado

Senna revisitado: "É um paradoxo: quanto mais você perceber que está equivocado, menos equivocado você estará.
Foi o que aconteceu comigo quando vi "Senna" no cinema outro dia.
Era daqueles espíritos de porco, esse sentimento nada kasher, que achavam Ayrton Senna um alienado, que só falava em Deus e namorava loiras inteligentes, quando poderia estar usando sua proeminência para avançar debates relevantes no Brasil.
Leia mais (25/11/2010 - 07h16)"

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Silvio Santos parece um tio meio louco

Comentário: Silvio Santos parece um tio meio louco: "Antes mesmo da chamada era de celebridades começar, Silvio Santos já perguntava "quem quer dinheiro" para seu auditório lotado. E abria a "Porta da Esperança" para desesperados que, além da chance de ganhar uma viagem ou, quem sabe, uma cadeira de rodas, ainda aparecia na televisão. Com seu baú da felicidade, fazia gente se endividar para pagar carnês, alimentando o sonho de um dia aparecer na televisão e, mais incrível ainda, conhecer o Silvio.
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Agora, na era dos reality shows, é possível conseguir tudo pela televisão: dinheiro, namorada, uma nova casa. Silvio já fez tudo isso com seu "Namoro na TV" e seu "Show do Milhão". Triste obrigar pessoas a pagarem carnês para conseguir a tal felicidade. Não se deve brincar com essas coisas. E ganhar dinheiro explorando o sonho dos outros não parece ético. Ainda mais quando esse sonho tinha pouca chance de ser realizado.
Leia mais (18/11/2010 - 16h07)"

terça-feira, 14 de setembro de 2010

E a mosca comeu a aranha (parte 2)


Um belo dia chegou a notícia que a abastada família, recém-chegada à cidade, daria uma festa na fazenda, e os convidados, aos poucos, iam recebendo seus finos convites com um misto de curiosidade e orgulho, já que a fama dos novos moradores se espalhou pelo local feito fogo no palheiro.

Esquecendo por ora a tal festa, em um dia em que chovia muito naquele fim de mundo, estando Roberval e Baltazar no armazém local a comprar suprimentos para a empresa do tio, eis que entra pela porta ninguém menos que Lucinha.

O barulho da sineta da porta de entrada pareceu então uma extensa e bela trilha sonora, daquelas de filme de cinema, para a cena de Lucinha, olhos felinos e o sorriso malicioso de sempre, corpo todo delineado nas suas roupas molhadas, entrando no armazém, meio que sem jeito, sei lá se sem jeito mesmo ou fazendo-se de, exibindo uma beleza que até então nunca se tinha visto naquela cidadezinha perdida no meio do nada.

Roberval, ágil como era com as mulheres, nem bem a viu, correu em se apresentar, com aquele seu jeito de galanteador barato, aprendido e adquirido em anos de puteiros e trato com as mulheres da vida.

Já Baltazar, tímido e sem jeito, fez apenas olhá-la.

Lucinha não se impressionou nem com um nem com outro. Pelo menos não naquele momento. Ou fez que não. Entenda-se as mulheres.

Pensou ela, do alto de seus 23 anos, bem vividos até então, e muito graças a algumas experiências nem imaginadas por seus pais, com homens da sua cidade, que homem é tudo igual, cachorros que sentem cheiro de sexo, ainda mais o dela, carne nova, verdadeiro prêmio para qualquer um deles colecionar.

Se fosse possível ler o pensamento de cada um, diria que Roberval pensou logo em comê-la e que Baltazar viu na bela moça o que vem os navegadores ao aportarem em uma ilha deserta e recém descoberta: o desconhecido, o impensável.

Lucinha fez-se de desentendida. Se bem que aposto, leu a mente de cada um deles da mesma forma que descrevi.

Cumprimentou Roberval discretamente, dando a entender que com ela não seria assim tão fácil a aproximação e andou até o balcão, lentamente, prestando atenção a cada detalhe do lugar.

Um desses detalhes, quase invisível, era Baltazar.

Neste ponto cabe um comentário óbvio: imagino que não seja difícil pensar em um final feliz para esta história, do tipo romance de Roliúde, com direito a reviravoltas mil e o amor brotando milagrosamente entre Lucinha e Baltinha, da maneira improvável à qual nos acostumamos acreditar e que nunca, nunca mesmo, acontece na vida com a qual estamos acostumados a conviver.

Não, amigos sonhadores como eu, Lucinha não viu em Baltazar o amor de sua vida. Até porque mulheres como ela não se apaixonam à primeira vista por coitados como ele. Isso é fato.

Lucinha viu sim em Baltazar o que há muito tempo procurava: um homem indefeso e ingênuo. E viu mais, na verdade: um homem perfeito para realizar o seu sonho de conquista, de ter alguém para fazer dela uma rainha; um ser manipulável, mesmo que para que isso acontecesse de fato, ela tivesse que, tal qual a fêmea aranha, envenenar o macho que lhe dá prazer e longevidade.

Assim, não é de se estranhar que Lucinha se fizesse de desentendida frente aos galanteios de Roberval e se apressasse em entregar pessoalmente um convite para a festa da famíla para Baltinha, com o mesmo sorriso cheio de malícia com o qual havia conseguido tudo o que queria até aquele momento da sua vida. Sim, até aquele momento.

Ao receber o convite, Baltazar, quase que não acreditando no que via e vivia, gaguejou algumas palavras de agradecimento e pode sentir, mesmo que por um instante, aquilo que sempre desejou por toda a sua vida: ser melhor que alguém. No caso, melhor que o odiado primo Roberval.

Mas, quase sempre, mesmo que as pessoas teimem em não acreditar, as coisas não acontencem tal qual elas desejam, e isso irá se comprovar mais uma vez ao final dessa história

(Continua...)

domingo, 5 de setembro de 2010

E a mosca comeu a aranha (parte 1)


Baltazar era uma pessoa de fé. Não dessa fé apregoada pelas religiões, essa fé regada a medo e incerteza. Apesar do nome bíblico – que já o tinha feito aguentar muita gozação na vida – Baltazar acreditava era em si mesmo.

Filho de família pobre, de pai trabalhador, porém beberrão, e de mãe austera e caseira, Baltinha, como era conhecido pelos amigos, nunca tinha feito nada de grandioso na vida. Deixando de lado um domingo de bingo, quando havia conseguido bater a cartela, porém, junto a mais cinco ou seis pessoas, ele nunca havia ganho campeonato, nem jogo de baralho, nem mesmo um par ou ímpar ou joquempô.

Mas mesmo assim, Baltinha seguia acreditando que um dia ganharia tudo o que nunca havia ganho do mundo. Acreditava ele em uma recompensa da vida para quem sempre lutou e acreditou. Não sabia o que era, mas acreditava que viria, um dia.

As coisas não iam muito bem para ele, isso é verdade.

Já com 28 anos, Baltazar havia tido apenas uma namorada, na vida inteira, com quem namorou por 12 anos, sem nunca ter conseguido mais que um papai-mamãe no escuro e o rompimento no dia seguinte, segundo a moça, por vergonha do que tinha feito.

Começou a trabalhar bem cedo, na empresa do tio, irmão de seu pai, um homem esperto para os negócios e cruel feito um capatáz.

Baltazar ouviu mais impropérios e xingamentos do tio do que qualquer palestino já tivesse ouvido de um judeu, ou vice-versa.

Mas ele não se incomodava em nada.

Para ele o tio nada mais era do que uma pessoa amarga, viciado em dinheiro e que vivia infeliz, preso a um casamento com uma mulher bem mais nova e que o traia com meia cidade.

Assim seguia a vida de Baltinha, aos berros do tio, vendo a mãe costurar e o pai beber, sem nada além disso, sem pódio de chegada e muito menos beijo de namorada.

Porém - nunca é tarde - eis que surgem, quase que ao mesmo tempo, duas pessoas, dois personagens em sua vida, que fariam com que o mundo de Baltazar virasse todo ao contrário. Uma delas, a bem da verdade, já existia. Mas não da maneira que irei contar.

A primeira delas, Lucinha.

De família recém chegada à cidade, Lucinha era filha de um empresário e de uma grã-fina da capital.

Uma vez aposentado, o pai de Lucinha decidiu morar no interior e investir no gado.

Assim, comprou uma fazenda, encheu-a de bois e vacas e trouxe toda a família, os três, na verdade, muito a contragosto de sua mulher, pessoa acostumada às festas e badalações da cidade grande.

Lucinha em nada se parecia com a mãe.

Moça de traços finos, pele clara e cabelos longos e de um olhar de felino e sorriso malicioso, Lucinha procurava por alguém. Alguém que, como ela, quisesse dar um basta na vidinha de merda e sair pelo mundo, sem rumo nem prumo.

Pausa em Lucinha, vamos à segunda pessoa. Roberval. O que dizer de Roberval?
Chefe imediato de Baltazar e primo deste. Sobrinho preferido do tio carrasco, tinha direito a todas as regalias do mundo. Ganhava bem, mesmo fazendo pouco, ao contrário de Baltinha, que trabalhava feito camelo e nunca havia ouvido sequer um obrigado.

Não era raro ver Baltinha fazendo o trabalho de Roberval, enquanto este saia com o tio para “procurar novos investimentos”, o que não raro signigicava gastar uma boa grana no puteiro local.

Apesar disso, Roberval não tinha muito apreço por Baltazar. Não, pelo contrário. Sempre que podia, Roberval fazia de tudo para humilhar Baltazar. Chamava-o de incompetente, de pobre, de feio, de infeliz, citando aqui apenas o que deve, por educação, ser escrito.

De Roberval sim, Baltazar tinha raiva sobrando. Mas não demonstrava, nada. Pensava Baltazar que revelar seu sentimento de ódio pelo primo seria como abrir mão do único trunfo que tinha contra ele. E assim, Baltazar só esperava, com toda a fé que tinha em si mesmo, que um dia, sem dizer uma palavra, faria com que Roberval se sentisse o pior dos homens. E mal sabia ele, este dia estava muito próximo.

(continua...)