terça-feira, 29 de setembro de 2009

Pedestres

Andar por aí pelas ruas, ou melhor, calçadas de Floripa, faz com que a gente consiga detectar alguns tipos de pedestres que, a bem da verdade, bem que poderiam ficar em casa vez por outra... Segue a lista:

Pitbull de Calçada
É aquele sujeito bombadinho, que range os dentes e olha feio pra qualquer cara que bote reparo na gostosa da mulé dele, ou mesmo esbarre “acidentalmente” nela. Sofre de problemas dentários e estomacais (por razões óbvias) e normalmente tem protuberâncias bem salientes na testa.

Guarda-sol de enterro
Quando chove, sempre aparece aquele cara com um guarda-chuva preto, de 2,5m de diâmetro e altura suficiente para fazer com que o infeliz enxergue apenas os seus próprios pés (ou patas). Frequentemente desmata pequenas árvores, destrói os guarda-chuvas alheios, mas tem como inimigos mortais os postes de iluminação e a mão do Pitbull de Calçada.

Comissão de frente
Normalmente composta por um grupo de três a cinco pessoas, sem destino certo, que andam umas ao lado das outras e bloqueiam toda e qualquer passagem. Como sempre estão conversando sobre alguma idiotice do trabalho, não se dão conta que outras pessoas precisam passar também. Falta apenas vestirem fraques e cartolas cor-de-rosa e acenarem para a multidão.

Diagonal style
Clássico! Idiota que fica olhando pro lado - normalmente não tem nada de interessante do lado, o que faz com que eu pressuponha que o infeliz deva sofrer de alguma doença mental - e, com isso, acaba vindo em sua direção, normalmente causando um acidente de médias proporções ou fazendo com que você tenha que passar pelo asfalto e caia em algum buraco. A solução vem do futebol americano: dar-lhe um belo tackle, seguido de uns dois ou três chutes na boca do estômago, estes por minha conta.

Diarréia aguda
É o estilo do imbecil que acha ser o Usain Bolt, empurrando Deus e o mundo pro lado. Também conhecido como Speedy Gonzalez das calçadas. Um tackle lateral contra a parede é uma boa! Porém, deve-se tomar cuidado, pois nem sempre é uma boa espremer um saco de merda desses.

Over de Prozac
Mulher de idade avançada (velha, mesmo), mas que, de tanto ser corneada pelo marido, deciciu esticar as pelancas e fazer academia. Por se achar o máximo da gotosura, mesmo que o senso comum diga totalmente o contrário, não pode ver alguns amigos conversando num bar que logo para ao lado, junto com alguma outra do mesmo naipe, pra ficar falando dos novos peitos de silica, dos "garotões" (michês, mesmo) que pega por aí, e com um volume de voz que beira os decibéis de um show do Iron.

Dança comigo?
Este na verdade é um subtipo, já que muito pedestre por aí, vez ou outra, o encarna. Vem um de lá e você de cá. Não sei quem começa a dançar primeiro, mas um vai pra esquerda, o outro também. Mais um passo para direita, seguido do outro, e assim, sucessivamente... O resultado são duas pessoas que se sentirão como completos idiotas por alguns minutos.

Meu mundo sou eu
Aquela tiazinha indecisa. Para na frente do banco do nada, fazendo com que você dê aquela freada de gastar a sola do sapato. Você tenta ir para a direita, mas, frações de segundo antes, ela vê alguém que pensa ser seu parente distante e faz o mesmo para chamá-lo. Nova freada brusca. Aí você para, analisa e rapidamente gira o corpo, tentando desesperadamente se desvencilhar pela esquerda. Mas ela já está lá, decidida a entrar em uma loja de perucas ou dentaduras, sei lá! Solução: deixe cair uma nota de 10 no chão, cutuque-a e aponte para o dinheiro. Só aponte, ela provavelmente não escuta bem. Risco: dependendo do tamanho da bunda, se ela se abaixar muito rapidamente, quem leva o tackle é você.

Trem da alegria
Uma loira, com um magnífico traseiro...

domingo, 13 de setembro de 2009

A lei de Gérson


Caros colegas leitores (se é que alguém ainda lê as baboseiras que eu escrevo, agora em intervalos de tempo cada vez maiores, devido à falta de saco), sem entregar a idade, mas já entregando, quando eu era um pivete (em Sampa a gente falamos pivete ou moleque, assim como os do Paraná falam piá, os del sur falar guri e os pedófilos falam garoto ou menino), eu me lembro de ver em uma TV Telefunken, P&B, sem controle remoto, mas amada pela família Bueno, uma propaganda do cigarro Vila Rica com o jogador Gérson, ex-craque da seleção canarinho.
Descontada aqui a estranheza de ver um jogador de futebol fazer propaganda de cigarro, já que à época fumar era tão bacana que existiam cigarros de chocolate para os meninos, ops, pivetes, e no jogo de Stop, uma das colunas preferida pelos jogadores (?) era a das marcas de cigarro, essa propaganda imortalizou a famosa frase "Porque eu gosto de levar vantagem em tudo, certo?" ou melhor, "Purrrque eu góixtu di levarrrr vaintageim em tudu, céirrrrtu?".
Daí, ou não daí, parece-me que criou-se (afe) uma "cultura" brasileira do ser sempre o primeiro, sempre o melhor. Até aí nada demais, não senhor, não senhora. O problema são os meios. Quem nunca se indignou ao ver alguém furar a fila do restaurante, para logo depois, ficar meia hora escolhendo a alface mais biita de linda (sim, estou me repetindo!). Ou no trânsito, os caras criarem passagem na marra, imaginando em suas mentes doentias que duas faixas são na verdade cinco. E mais recentemente, atletas brasileiros se dopando para alcançar o primeiro lugar, para vencerem, seja a que custo for. E eu me pergunto: será que um dia esqueceremos os Gérsons e aceitaremos de bom grado sermos Rubinhos, felizes e saltitantes por podermos ao menos curtir o momento de cada pequena conquista, mesmo que pouco signifique para os outros, mas muito para nós mesmos, e gratos por vivermos em uma sociedade onde as pessoas tenham respeito uns pelos outros?
Bom, preciso ir. Quem sabe se eu sair correndo agora, passar vários carros pelo acostamento, parar na vaga de um idoso e furar a fila da lotérica, ainda posso ganhar na Mega e ser o primeirão! Afinal de contas, o Brasil é dos espertos.