domingo, 13 de setembro de 2009

A lei de Gérson


Caros colegas leitores (se é que alguém ainda lê as baboseiras que eu escrevo, agora em intervalos de tempo cada vez maiores, devido à falta de saco), sem entregar a idade, mas já entregando, quando eu era um pivete (em Sampa a gente falamos pivete ou moleque, assim como os do Paraná falam piá, os del sur falar guri e os pedófilos falam garoto ou menino), eu me lembro de ver em uma TV Telefunken, P&B, sem controle remoto, mas amada pela família Bueno, uma propaganda do cigarro Vila Rica com o jogador Gérson, ex-craque da seleção canarinho.
Descontada aqui a estranheza de ver um jogador de futebol fazer propaganda de cigarro, já que à época fumar era tão bacana que existiam cigarros de chocolate para os meninos, ops, pivetes, e no jogo de Stop, uma das colunas preferida pelos jogadores (?) era a das marcas de cigarro, essa propaganda imortalizou a famosa frase "Porque eu gosto de levar vantagem em tudo, certo?" ou melhor, "Purrrque eu góixtu di levarrrr vaintageim em tudu, céirrrrtu?".
Daí, ou não daí, parece-me que criou-se (afe) uma "cultura" brasileira do ser sempre o primeiro, sempre o melhor. Até aí nada demais, não senhor, não senhora. O problema são os meios. Quem nunca se indignou ao ver alguém furar a fila do restaurante, para logo depois, ficar meia hora escolhendo a alface mais biita de linda (sim, estou me repetindo!). Ou no trânsito, os caras criarem passagem na marra, imaginando em suas mentes doentias que duas faixas são na verdade cinco. E mais recentemente, atletas brasileiros se dopando para alcançar o primeiro lugar, para vencerem, seja a que custo for. E eu me pergunto: será que um dia esqueceremos os Gérsons e aceitaremos de bom grado sermos Rubinhos, felizes e saltitantes por podermos ao menos curtir o momento de cada pequena conquista, mesmo que pouco signifique para os outros, mas muito para nós mesmos, e gratos por vivermos em uma sociedade onde as pessoas tenham respeito uns pelos outros?
Bom, preciso ir. Quem sabe se eu sair correndo agora, passar vários carros pelo acostamento, parar na vaga de um idoso e furar a fila da lotérica, ainda posso ganhar na Mega e ser o primeirão! Afinal de contas, o Brasil é dos espertos.

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